• Yvette Hio Pugliesi

Confinamento - Como lidar consigo mesmo

É chegada a hora de nos depararmos com um momento de isolamento social devido à COVID-19. Estamos vivenciando um momento de distanciamento das pessoas que amamos, que gostaríamos de abraçar, beijar, fazer amor e expressar nossas emoções. Pense no seguinte: estamos acostumados a dar amor e recebê-lo em troca. Você abraça e é abraçado - o carinho que você costuma dar, bate e volta, e ai chega o sentimento de realização, da mesma forma quando você recebe um "like" em um post, só que pessoalmente.


Muitos estão se sentindo "abandonados", quase depressivos pela falta de atividade externa. Opa! Chegamos no ponto-chave. Nunca estamos sós! Temos um ser que precisa do nosso carinho diário, o tempo todo: nós mesmos. Nossa presença precisa ser plena e agradável. Se você conhece todos os cantinhos da sua alma, da sua essência, se você aceita cada particularidade da sua personalidade, se você se sente confortável com a sua presença, tudo fica mais leve. Tudo fica mais gostoso.


Quando renegamos algum cantinho escuro da nossa alma e o deixamos empoirado, nem sequer olhamos pra ele, porque o achamos feio e sombrio, então precisamos que alguém empreste sua luz e alegria para sentirmos todos os cantos" completos". Mas isso é pura ilusão. Os cantinhos obscuros que existem dentro da nossa alma, e que preferimos esquecer, por considerá-los feios e desagradáveis, são qualidades a serem revistas e lapidadas . Talvez esses cantinhos sejam o nosso melhor espaço. Talvez ali habite o melhor de nós, mas não o aceitamos porque não sabemos lidar com sua geometria. Parecem labirintos, mas são, na verdade, um caminho reto e certo para a felicidade plena.


Conheça todos os seus espaços e aprenda a lidar com eles, aprenda a amá-los e respeitá-los e, automaticmente, a falta do outro não será um peso capaz de anular a sua existência. O outro existe para somar e não completar. Você precisa estar completo e iluminado a ponto de não precisar de uma luz emprestada para ser feliz. Conheça suas fraquezas, da mesma forma que deve conhecer as suas qualidades. Desvende seu universo interior, aceite-se, modele-se, lapide-se, ame-se e quando o abraço do outro chegar, você não será um ladrão de amor. Você compartilhará o amor na sua forma mais plena.


Estar só não pode ser algo ruim, ao contrário, este deve ser o momento de encontro com o seu Deus interior. O outro é necessário, sim, mas, antes dele, existe você. Esteja feliz com a sua divina presença e quando abrir a porta para o mundo lá fora, não se sentirá saindo de uma prisão, mas terá a plenitude de abrir suas asas e voar pelas ruas, pelos bares e lares como um grande pássaro iluminando tudo por onde passa.



0 visualização